Resenha #20 - Willow, Julia Hoban


Eu já havia lido esse livro antes de ser lançado pela Leya, e quando vi uma propaganda no facebook da editora me lembrei de quão boa eu tinha achado essa história. Finalmente consegui relê-la e, agora, apresento a vocês o que essa leitura me proporcionou. Willow sofreu um acidente de carro que matou seu pai e sua mãe, enquanto ela, a motorista, conseguiu sobreviver, o que a faz  se sentir culpada pela morte deles. Ela se mudou para a casa de seu irmão, casado e com uma filha ainda bebê, mudou de escola e se recusa a conversar com seus antigos amigos. Para afastar a dor tão profunda que a morte de seus pais causou ela inflige a si mesma uma dor física, ao cortar sua pele com uma lâmina toda vez que chega perto de desmoronar, impedindo a si mesma de sentir alguma emoção.

Um dia, durante seu turno na biblioteca da universidade, ela conhece Guy, um rapaz que estuda na mesma instituição que ela. Ele acaba descobrindo o segredo que Willow mantém guardado a sete chaves. Ela o convence a não contar a seu irmão e eles vão construindo uma relação, passam de estranhos a amigos e depois a algo mais que isso. Ele parece ser o único capaz de entendê-la, apesar de saber que não é possível para ele compreender o que é perder os pais, já que ele não passou por isso. Mas isso não o impede de se aproximar dela e de tentar ajudá-la. A aproximação entre eles é gradativa, nada acontece de repente. Para Willow é complicado se deixar sentir, já que ela passou os últimos sete meses fazendo exatamente o contrário, freando o máximo de emoções possível,  além de que ela não acha que ser feliz seja um direito que ela possua, para ela não há motivo para a vida ser fácil.

Outro problema enfrentado por Willow, que na verdade é uma consequência do acidente, é o fato de o irmão dela a odiar por ela ter matado seus pais, ou ao menos é a isso que ela atribui o jeito frio com que ele a vem tratando desde aquele dia. Mas na verdade é ela quem enxerga as coisas sob uma perspectiva negativa, sempre pensando que os cochichos de seus novos colegas são sobre ela, sobre a garota que matou os próprios pais, sobre como ela é claramente tão diferente de todo o resto. Guy está sempre ali, pronto a ajudá-la, o que não significa que ele não tenha se aborrecido ou se irritado com ela, mas ele tenta ser paciente e compreensivo.

Algo que achei bastante interessante e atraente no texto é a presença de referências à várias obras importantes, algumas bastante conhecidas, como as de Shakespeare, e outras nem tanto (ao menos eu não conhecia algumas). Em alguns pontos a fascinação dos personagens por determinado livro era capaz de me deixar com vontade de ler a obra, apenas para poder compreender melhor o que eles estavam dizendo um ao outro, o que eles estavam pensando e o que elas poderiam significar na vida de cada um deles. A história é uma daquelas que nos  permite entender, mesmo que apenas uma minúscula porcentagem, o quão difícil a vida é para aqueles que passaram por um trauma tão forte, capaz de deixar cicatrizes muito mais profundas do que as que podem ser vistas ao se observar o exterior.

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