Resenha #26 - Julieta, Anne Fortier


Esse livro já foi indicado por mim aqui no blog como leitura de primavera. Ironicamente, o li em um verão com chuvas. Ele conta a história de Julie Jacobs, que na verdade se chama Giulietta Tolomei, e sua irmã gêmea Janice, cujo verdadeiro nome é Giannozza. Elas pertencem à família Tolomei, de Siena, na Itália, que há séculos mantém uma rixa com a família Salimbeni. Giulietta tem os genes da antepassada cujo nome herdou, e que inspirou a famosa peça de Shakespeare, Romeu e Julieta. As famílias acreditam estar sob efeito de uma maldição, que as assola há séculos e que apenas será quebrada quando Julieta enfim permanecer ao lado de Romeu. Mas as irmãs apenas têm acesso à essas informações após a morte da tia-avó, que as adotou quando crianças e as levou com ela para os Estados Unidos.

Em sua maior parte, o livro alterna capítulos das aventuras vividas pela Julieta do século XXI e dos acontecimentos do século XIV, nos anos de 1340 e 1370, nos contando as felicidades -e infelicidades- de Giulietta Tolomei e Romeo Marescotti, assim como deixa-nos conhecer seus amigos e inimigos. Todas as histórias têm uma conexão e nos ajudam a compreender a “missão” de Giulietta, quebrar a maldição. A mãe das gêmeas, Diana, descobriu o que era necessário para tal, mas não teve tempo de fazer acontecer e nem ao menos de contar a alguém. Entretanto, deixou uma herança às filhas, que é capaz de levá-las ao caminho certo.

No início, fiquei incomodada que houvesse apenas um capítulo dedicado à Giulietta, sendo o próximo ambientado no século XIV, pois eu estava muito mais interessada no que aconteceria com a personagem do século presente. Mas não se enganem, esses capítulos são essenciais à narração. Eles nos dão a perspectiva necessária sobre o Romeo e a Giulietta daquele século, além de nos mostrarem as histórias que a personagem principal lê, deixadas por sua mãe e que a guiam em sua jornada.

Eu sempre quis ler as obras de Shakespeare, mas nunca consegui. E Romeu e Julieta definitivamente está entre as primeiras da lista que espero logo, logo fazer andar. E imaginem minha surpresa ao descobrir que realmente houve um casal destinado à tragédia lá nos anos 1340, cuja história inspirou escritores (no início apenas relatores da realidade), até chegar aos ouvidos e mãos do Bardo, que a imortalizou.

Há de tudo na história de Anne Fortier. Amor, lealdade, tirania, honra, amizade, intrigas, jogos políticos etc. Vele ressaltar que muito do livro é baseado em fatos históricos, aos quais ela teve acesso graças à pesquisas realizadas, entre outras pessoas, por sua própria mãe, a quem a autora dedica o livro. É uma obra com certeza prazerosa de ser lida, que em alguns momentos me deixou apreensiva e que também foi capaz de me levar às lágrimas (convenhamos que isso não é tão difícil assim, mas em algumas partes não há como não acontecer). Esse foi um livro terminado com a sensação de ter lido uma obra especial, ao qual foi dedicada tanta atenção que não há chance de não ser maravilhosa (e cativante e contagiante e esperançosa). E é assim que ela é: maravilhosa.

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