Resenha #29 - Charlotte Street, Danny Wallace


Há alguns anos sou perseguida por esse livro. O via em algumas páginas do facebook, ou quando estava lendo alguma outra página da internet. Enfim, vira e mexe nos encontrávamos novamente. Até que finalmente dei início à nossa relação. Quando iniciei a leitura, cheia de expectativas, acabei me decepcionando um pouco. Mas aos poucos fui me entendendo com esse amigo (agora não mais platônico) e finalmente nos acertamos.

Jase, o personagem principal, a priori me pareceu um cara bem irritante e frustrado, que não havia conseguido chegar muito longe em sua carreira profissional e tinha abandonado os sonhos que um dia possuíra. Ele mesmo chega a admitir em determinado ponto do livro que talvez pudéssemos tê-lo achado não amigável no início. Mas aí é que está. Continuei a leitura, já que eu finalmente tinha o livro em mãos, e me mantive firme, sendo recompensada com uma história linda. Aos poucos ele vai nos contando o que aconteceu em sua vida no último ano, como ele perdeu a namorada e o que foi o gatilho para que sua vida desandasse de vez. Em alguns momentos fiquei um pouco revoltada com ele, mas foi passageiro.

A ex-namorada de Jase, Sarah, no momento está em um relacionamento com outro homem, Gary, com quem logo irá se casar. A relação entre os dois ainda é meio conturbada, mesmo depois de meses separados, e a culpa na verdade é do próprio Jase. Ela é uma pessoa resolvida e decidida, que seguiu em frente na vida, não ficou parada no mesmo lugar - que é praticamente o que ele fez. Mas a rotina dele muda depois de ajudar uma moça na Charlotte Street a entrar em um táxi e acidentalmente acabar ficando com a câmera dela, uma descartável.

Segundo Dev, amigo de Jase, as fotos tiradas com esse tipo de câmera têm uma ligação entre si, além de serem importantes – afinal, são apenas doze fotos, então é preciso ter certeza de que determinado momento deve ser registrado. A busca de Jase pela garota (que ele espera ser A garota) perpassa todo o livro. Eu já estava começando a achar que eles nunca se encontrariam de fato e que a história era apenas sobre a vida do personagem e não teria nada de romance para ele. E a verdade é que não há muitas linhas em que os dois estão juntos, mas o autor nos deixa saber o fim da história deles. Isso foi essencial para mim, apesar de o livro não ser exatamente sobre o romance.

A história é mais ampla do que uma história de amor. Como eu já disse, no início do livro Jase está frustrado e infeliz, portanto acompanhamos sua vida e suas asneiras nesse estado de emoção. Enquanto tenta descobrir quem é a moça dona da câmera ele vai, lentamente, encontrando o caminho para reencontrar a si mesmo, o “eu” que parece estar perdido ou desaparecido desde o dia do incidente (que ele demora um século para nos revelar). O livro, para mim, foi uma aprendizagem. Tenho apenas dezoito, então ainda tenho um longo caminho pela frente, que provavelmente será cheio de decisões a tomar, planos a fazer e concretizar. E desilusões deverão aparecer também, o que significa que terei que contorná-las e seguir em frente, assim como Jase faz na história, mesmo que em alguns momentos nem ele perceba. E talvez não seja fácil, mas isso nunca foi razão para desistir, não é mesmo?

Terminei a leitura com uma risada, leve e livre, cheia de não sei o quê - esperança, talvez, aquela da qual Jase vive (ou costumava viver) tentando se apartar. E também com uma ambição imediata: ser dona de uma câmera descartável 35 mm.

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