Resenha #30 - O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry

Durante anos ouvi pessoas próximas citando algumas falas memoráveis do pequeno príncipe, mas nunca fui capaz de realmente compreender a emoção que elas demonstravam nesses momentos, mesmo reconhecendo a sabedoria por trás da citação. Agora, depois de finalmente conhecer a tão comentada e querida história, não posso dizer que consegui compreendê-la por completo, mas ao menos o suficiente para também ter o direito de citar algumas de suas maravilhas.

Precisei ler o livro duas vezes para me sentir minimamente confortável em escrever esta resenha. A edição que comprei é uma linda com nova tradução (de Frei Betto) e que contém um caderno com algumas fotos e estudos sobre a vida e a obra de Antoine, que me auxiliaram a entender um pouco O Pequeno Príncipe. O autor baseou as personagens em algumas pessoas que ele conhecia em sua vida real -a rosa, por exemplo, tem a personalidade de sua esposa, cheia de espinhos mas encantadora. Ah, um ponto muitíssimo importante: o livro nasceu no meio da Segunda Guerra Mundial, em 1942- ano em que a França, pátria de Saint-Exupéry, se encontra sob o domínio nazista.


Antoine era um piloto, que fez seu último voo em 1944, tentando libertar a França. Não houve vestígios do avião até o ano de 1998, quando um pescador do Mediterrâneo encontrou uma pulseira com a identificação do piloto, que permitiu que os destroços do avião fossem encontrados por uma equipe de rastreamento.

Bem, quanto à história do livro. O pequeno príncipe vive em um planeta que tem mais ou menos o tamanho de uma casa, do qual ele está sempre cuidando, para que seu lar permaneça bem. Por ser um planeta pequeno, o príncipe pode assistir ao pôr do sol quantas vezes ele quiser, no momento em que sentir vontade, mas ele geralmente faz isso quando está triste. Um dia, porém, ele decide sair de sua casa e ir conhecer outros planetas, nos quais ele encontra os mais variados tipos de pessoas, mas nenhuma delas parece fazer ou querer algo que seja realmente útil ou bom.

O principezinho representa o ser humano em sua forma mais pura. Ele procura enxergar as coisas pelo que existe dentro delas, e não pela sua face externa. É responsável por si e por seus atos. Tem consciência do perigo que são as sementes de baobá para o seu planeta, que são capazes de dilacerar a terra se ele permitir que cresçam. Essas sementes representam o mal no mundo, que naquele momento eram as forças totalitárias que se proliferavam na Europa –o nazismo e o fascismo.

O livro é cheio de metáforas, lindas e que escondem dentro de si as mensagens que Antoine tenta passar ao leitor. Eu recomendo fortemente que a obra seja lida na íntegra (apenas reforçando), porque só assim é possível apreciar o valor d’O Pequeno Príncipe. Não é por acaso que o livro de Exupéry foi traduzido, ao longo dos anos, para mais de duzentos e cinquenta idiomas. Além disso, é a obra mais famosa da literatura francesa. Então, se me pedirem para fazer uma lista com os livros que eu acho mais essenciais, esse com certeza disputará os primeiros lugares.


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