Resenha #33 - A Transformação de Raven, Sylvain Reynard


Esse é o primeiro livro da série Noites em Florença, escrita pelo mesmo autor da trilogia O Inferno de Gabriel. O casal Emerson e alguns outros personagens da trilogia aparecem no livro, em algumas situações, ligando as duas séries. Em A transformação de Raven, nossa heroína não é nada parecida com os padrões de beleza atuais. Ao contrário, está acima do peso e tem uma lesão na perna que a impede de andar sem a ajuda de uma bengala. Mas, o que é realmente importante, tem uma alma maravilhosa. Ela se preocupa com os outros e não consegue se calar diante de injustiças. E eu amei isso.

Uma noite, voltando da festa na casa de uma amiga, Raven vê um grupo de homens espancando um mendigo e, ao tentar defendê-lo, se torna a próxima vítima. Ao acordar, no dia seguinte, está com um corpo totalmente diferente, mais magra e com as duas pernas do mesmo tamanho. E um pequeno detalhe: a agressão não ocorrera na noite anterior, mas sim há mais de uma semana atrás - uma semana da qual ela não consegue se lembrar. Para piorar a situação, houve um roubo na galeria em que Raven trabalha e o fato de ela ter sumido por uma semana a torna uma suspeita em potencial.

Em meio a tudo isso, um estranho invade seu apartamento lhe dizendo para sair da cidade, pois ali ela não está segura. O que Raven não sabe é que esse estranho não pode ser explicado pelas constatações racionais e científicas nas quais ela acredita, assim como não podem ser explicadas sua cura de uma situação de quase morte e sua mudança corporal. Esse estranho é o Príncipe de Florença, o governante do submundo da cidade, aquele que a salvou na outra noite, de quem, portanto, Raven não se lembra.

Ao longo do texto temos acesso às perspectivas de várias personagens, nos ajudando a construir um quadro mais amplo  da situação. O livro trata não apenas do romance entre Raven e o Príncipe, mas também nos mostra como Willian governa a submundo, as traições vindas dos membros do Consillium (que é o conselho que lhe ajuda a governar) etc. Mas eu gostei mesmo foi do romance. Willian enxerga Raven como ela é, não está preso à padrões estéticos determinados pela sociedade (até porque ele não liga muito para o que acontece no mundo dos humanos). E a ama, mesmo que demore tanto para perceber, é algo simples e óbvio, mas que ele não consegue entender graças a sua história de vida. Ou não vida, dependendo da perspectiva.

A pessoa que Raven é, que , convenhamos, não é muito comum, me encantou e me impressionou. Não é fácil encontrar por aí alguém que esteja disposto a ajudar um mendigo no meio da rua, tendo quase certeza que a próxima a ser atacada seria ela mesma. E é exatamente isso que ela faz. Há outras situações em que Raven deixa a si mesma de lado para poder ajudar outras pessoas, que não vou comentar aqui para não dar spoiler. Estava esperando uma história sobrenatural, que eu não lia já há algum tempo, mas o que encontrei foi muito mais que isso.  Me deparei com um romance que me trouxe uma reflexão sobre a justiça, a bondade e a capacidade de se doar.

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