Resenha #36 - A Estrela, Javi Araguz e Isabel Hierro


Adquiri esse livro em uma de minhas incursões à banca aqui perto de casa. Fazia bastante tempo que eu não comprava algum romance em locais diferentes de sites ou livrarias. Foi uma experiência gostosa voltar a passar um tempo dentro da banca de jornal, ficar vendo as opções, escolher quais eu queria, mudar de ideia e escolher outro. Enfim, foi uma volta super gostosa a um costume muito bom. Naquele dia comprei dois romances bem baratinhos, e esse é o primeiro deles que vou mostrar para vocês. A Estrela foi escrito por uma dupla de autores espanhóis - mais uma novidade para a minha estante -, Javi Araguz e Isabell Hierro, e é o primeiro projeto em que eles trabalharam juntos. No mundo fictício em que se passa a história, o planeta é conhecido como Linde e está devastado, sua superfície está coberta de rachaduras, que se iniciaram com a Ferida, a primeira quebra na Quietude. Imaginem um mundo em que a todo momento ocorrem abalos sísmicos que literalmente mudam tudo de lugar - é num planeta assim que a população humana vive.

Devido a esses abalos, as pessoas vivem em pequenos povoados e não ultrapassam os Limites Seguros que são marcados em cada um deles. Eles demarcam o território que dificilmente será alvo da quebra da Quietude, aquele que permanecerá inteiro depois que ela passar, impedindo que as famílias se fragmentem e mantendo todos a salvo. Mas um dia ela não respeita esse limite e destrói o povoado de Sálvia, fazendo com que seus habitantes se encontrem de repente nos mais diversos lugares do planeta. Um desses habitantes é Lan, que se perde em um deserto e é encontrada por um Caminhante da Estrela, o único povo que se movimenta pelo Linde e nunca se perde. Todos acreditam que eles são capazes de se orientar por si próprios, mas na verdade eles possuem um mapa que de alguma forma lê como o planeta se encontra e assim conseguem se situar. Além disso, eles não são afetados pela partículas, que anunciam quando um novo rompimento da Quietude se aproxima, que agridem de forma irreversível o cérebro humano.



Os Caminhantes levam Lan à cidade de Rundaris, já que ela não pode permanecer viajando com o grupo, e lá ela encontra algumas pessoas de seu antigo povoado que também haviam sido resgatadas. O rei da cidade lhe consegue um emprego na estufa, onde Lan faz mais alguns amigos. Durante seu trabalho ela passa bastante tempo com o jovem que a resgatou e acaba se tornando amiga dele, apesar de saber que, assim como todos, deve manter distância dos Caminhantes. Só amizade tudo bem, mas o problema é que o sentimento que um tem pelo outro está mais para a outra coisa.

Eu gostei bastante da premissa da história, mas me decepcionei um pouco com a linguagem do texto. Não sei se por ser um livro juvenil (ele foi um dos finalistas do Prêmio de Literatura Juvenil As de Picas), aqui e ali encontrei algumas falas  não muito pertinentes, e a forma de pensar das personagens me pareceu um tanto ingênua, apesar de perceptivelmente serem personagens fortes. Acho que a situação é essa: gostei das personagens, mas não da forma como o texto as apresenta. Vi personagens claramente fortes serem tratadas com um tipo de linguagem que não me convenceu (não sei se me fiz entender muito bem aqui). Não sei se isso se deve ao público que se pretende atingir com a obra, como eu já afirmei, ou a alguma falha de tradução/revisão, mas acho essa última possibilidade bastante difícil.

Mesmo não sendo uma das minhas melhores leituras, graças aos problemas já citados, gostei muito da história e me senti perto das personagens, concordando ou discordando de suas ações, mas na maior parte das vezes apoiei suas decisões. Para provar que vale a pena a leitura: aproveitei que não tinha faculdade no dia seguinte e fiquei lendo até de madrugada e só parei quando terminei o livro. O final foi bom, mas eu precisei me agarrar a um fiapinho de esperança que os autores nos dão para conseguir parar de chorar (obviamente, não vou contar por que).

Por hoje é isso, gente. Até mais!


Comentários

  1. Eu não sei mais o que fazer, eu li esse livro e sinceramente acho que vou entrar em uma pequena depressão, rsrs. Eu espero ainda, que vá ter uma continuação com um final melhor, não que eu não tenha gostado, só acho que foi triste demais.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Comente! Vou amar saber o que você achou do post ou do blog, e sugestões para melhorias também são bem-vindas!

Postagens mais visitadas