Resenha #38 -Soul Love, Lynda Waterhouse


Resolvi ler esse livro graças a uma querida amiga, que o tem como um de seus preferidos e me emprestou esse exemplar para que eu pudesse mergulhar na história. Eu estava com receio de o achar um pouco infantil, já que ela mesma não o lia há alguns anos, mas de forma alguma foi isso o que aconteceu. Soul Love nos trás uma história que ao mesmo tempo em que é leve, trata de temas que são super importantes em qualquer idade, e é por causa desses temas que acabei dando spoilers na resenha, mas é porque dessa vez achei que era necessário. A personagem principal, Jenna, acabou de ser expulsa do colégio em que sua mãe tinha conseguido uma vaga para ela com muito sacrifício. A questão é que Jenna não é a única culpada pelo que a fez ser mandada embora, mas os outros dois envolvidos, o cara de quem ela gosta, Jackson, e sua suposta amiga, Mia, pediram para que ela não contasse nada. E assim ela fez - assumiu toda a responsabilidade. Decepcionada com a  filha, sua mãe a leva para morar com a tia Sarah  em uma cidade do interior, bem diferente de Londres, chamada Little Netherby. 

Essa cidade é aquela típica onde todos se conhecem e se cumprimentam na rua - mas não se enganem, nem todo mundo é tão legal assim. Bem, a tia Sarah é uma mulher super legal, mas que vive se deixando levar por Kai, seu namorado e poeta (assim como ela), que não tem a mínima condição de assumir responsabilidade por alguma coisa e age sempre de maneira inconsequente. Jenna também conhece Ava e Julius, frequentadores assíduos do sebo de Sarah e Kai, que fica na cidade vizinha, Greater Netherby, no qual a menina começa a trabalhar para ajudar a tia, já que o namorado a abandonou (embora Sarah tenha plena fé de que ele irá voltar e de que isso é só uma fase por que os artistas passam).

E como já é de praxe, Jenna conhece um garoto, Gabriel, que capta sua atenção logo de cara. Mas ele insiste em manter seus encontros em segredo e age como se mal a conhecesse em público, o que a deixa louca. Depois de algum tempo juntos, a moça lhe conta o motivo de ter sido expulsa do colégio - uma confusão gerada pela 'amiga' dela, Mia, que terminou em usar o cartão de crédito de uma professora para fazer compras. A confissão leva Gabe a dizer o por que de sempre parecer não ter certeza se quer ter Jenna em sua vida. Ele é portador de um vírus que é controlado por meio de remédios, mas não pode ser morto - pelo menos a ciência ainda não descobriu como - e não quer que as pessoas saibam disso, pois provavelmente olhariam para ele de outra forma, e não muito lisonjeira. Então, ele não sabe se Jenna gostaria de ficar perto dele e continuar o relacionamento.

Lynda conseguiu abordar vários temas de um jeito tão leve que com certeza transmite a importância de cada um deles para o leitor: Kai, ao abandonar Sarah, resolve pegar as coisas da casa que ele costumava dividir com ela para poder vender e ganhar dinheiro para ajudar a nova namorada, que está grávida dele - ou seja, é uma atitude inconsequente atrás da outra- ; Mia, uma menina que  tem dinheiro de sobra mas escolhe roubar, talvez por achar divertido, não mede o quão errado é o que ela faz, além de pensar que o mundo está a seus pés. Mas o que eu gostei mesmo foi de acompanhar o amadurecimento da protagonista, como ela passa a perceber que não havia amizade entre ela, Mia e Jackson. Eram apenas colegas cujo relacionamento próximo trazia vantagens e desvantagens. Além disso, ela por si só se torna uma pessoa mais madura, que aos poucos vai deixando de ser criança e começa a perceber como a vida realmente é - não que dê para saber muito aos quinze anos, mas mesmo assim.

Dentre todos os assuntos abordados, acho que o caso de Gabe é o mais importante. Ele é portador do HIV desde que nasceu, então passou a infância indo a hospitais e fazendo exames para garantir que o vírus permanecesse em controle, sem falar do coquetel de remédios que ele precisa tomar. Mas acontece que existem pessoas que não entendem muito bem o que é que ser portador significa - a pessoa possui o vírus, mas não a doença, que no caso é a Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). Essa falta de conhecimento muitas vezes faz com que a sociedade julgue e rotule essas pessoas indevidamente. E essa é uma questão super importante. A Aids não é uma doença que só afeta aos gays, aos pobres ou qualquer outra irracionalidade que digam por aí. Ela é transmitida por um vírus que pode afetar a qualquer um e independe de condições financeiras ou escolha sexual.

Eu sei que muitas pessoas entendem o que é essa Síndrome, mas achei importante deixar alguns links de acesso aqui no fim do post porque também sei que uma boa parcela da população nunca teve acesso a esse tipo de informação ou teve muito pouco, e isso precisa mudar. Nessa página tem bastante coisa sobre o vírus, sobre a Aids, prevenção, transmissão e algumas outras informações. Para acessar é só clicar aqui. Também encontrei um vídeo no YouTube sobre o assunto (mais especificamente sobre qual a situação do Brasil hoje), com opiniões de alguns médicos, inclusive do Drauzio Varella (que acredito que seja o mais conhecido por todos nós). São só quinze minutinhos, mas tem uma infinidade de informação. Para assistir é só clicar aqui. E se for preciso, procurem por mais vídeos, artigos ou o que for, até que tenham certeza de que têm consciência sobre o vírus, a doença e tudo o que se relaciona  a ela.

Até mais, pessoas!

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