Resenha #41 - Fale!, Laurie Halse Anderson


Fale! é mais um dos livros da minha categoria 'estou louca para ler mas nunca parece ser o momento adequado'. Mas, finalmente, o tirei da estante, sentei e o li de uma vez só, de tão bom que ele é. Já li inúmeras resenhas falando sobre a obra, então eu já tinha alguma noção do que esperar da minha leitura, e o que vi ao passar das linhas foi justamente  a confirmação de quão bem escrita ela foi e do quanto a história é impactante. Fale! teve sua primeira edição em 1999 e de lá para cá fez muitíssimo sucesso - começou a ser usado em escolas públicas nos EUA e ajudou inúmeras meninas a finalmente conseguir falar, botar pra fora aquilo que estavam guardando dentro de si. É um livro fantástico, daqueles que todos deveriam ler ao menos uma vez na vida.

Melinda, a protagonista, está entrando no ensino médio sem ter qualquer amigo, já que todos os que a conhecem a odeiam por algo que ela fez na festa que os veteranos ofereceram aos calouros. O que aconteceu? Ela ligou para a polícia, e como consequência a festa acabou e algumas pessoas acabaram presas. Até as meninas que costumavam ser suas amigas simplesmente a ignoram ou a tratam mal, como os outros alunos que sabem o que ela fez. A questão é: ninguém está preocupado em saber por que ela chamou a polícia. Melinda não diz nada e, se dissesse, não parece que alguém estaria disposto a escutar - e esse é o ponto. Como você simplesmente sai julgando uma pessoa que você conhece há anos sem nem ao menos ouvir o lado dela da história (que é o caso das 'amigas' de Melinda)?

As aulas de Artes se tornam o refúgio da personagem, e o professor é o tipo de pessoa sensível, que percebe que algo está errado com a menina e aos poucos vai tentando ajudá-la, mas Melinda se recusa a falar. Ela conseguiu fazer uma nova amiga no colégio, mas a garota parece ser obcecada em ascensão social dentro do mundo a parte que é o ensino médio, e faz de tudo para conseguir um lugar dentro de algum dos grupos mais descolados da escola. As notas de Melinda, que costumavam ser perfeitas, circulam entre B, C e D, sendo Artes a única matéria em que a menina consegue um A. Em uma de suas aulas há um garoto chamado David Petrakis, que é super inteligente e conseguiu chamar a  atenção de Melinda (e a minha também). Parece haver a possibilidade de uma relação mais forte entre eles, ao desenrolar da história, mas é algo sutil e perfeitamente encantador (não estou conseguindo achar a palavra certa aqui, mas essa traduz uma parte do que senti ao presenciar os, aos poucos mais frequentes, contatos entre os dois personagens).

"David encara o Mister Pescoço, olha para a bandeira por um minuto, então pega os livros e sai da sala. Diz um zilhão de coisas sem dizer uma palavra. Faço a anotação mental de estudar David Petrakis. Nunca ouvi um silêncio mais eloquente."

Algo que achei super interessante é que no início do livro há um poema montado a partir de pequenos pedacinhos de cartas que a escritora recebeu ao longo dos anos, de meninas que leram os livros, se identificaram com a história de Melinda e foram ajudadas por ela - finalmente conseguiram falar. Ao final do livro há uma seção de 'Extras', em que a autora fala um pouco sobre como nasceu a história de Melinda e sobre uma possível continuação e um pequeno texto sobre a questão da educação. Também há uma entrevista com Laurie e um guia para auxiliar o uso do livro em sala de aula, além de um panorama sobre a situação das questões de que o livro trata, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.


Por hoje é isso, galera. Até a próxima!

Comentários

  1. Que resenha legal, Fê! Eu sou louca pela Laurie Halse desde Garotas de Vidro, e quero muito ler Fale! Infelizmente, li uma resenha com spoilers e sei o que aconteceu com a protagonista na festa,para ela chamar a polícia :(
    Ótimo saber que você indica!
    Beijos,

    http://lucyintheskywithbooks.blogspot.com.br/

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  2. Obrigada, Rê :) Eu ainda não li esse, mas já o coloquei na minha lista do Skoob. Ai, spoilers são sempre chatos, mas leia o livro, sim, vale muito a pena!

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