Resenha #45 - A Última Chance, Karen Kingsbury


Eu demorei um pouco para começar a ler esse livro, mas quando o fiz não pude mais parar. Pela sinopse, sabemos que os dois personagens principais passam anos separados, longe um do outro e sem contato algum. Então, quando iniciei a história e percebi que ainda demoraria um tempo até que a narração chegasse ao momento atual, fiquei impaciente e queria que os fatos pretéritos acabassem logo de uma vez. Porém, ao desenrolar do livro deu para perceber que todas aquelas páginas dedicadas a contar o passado são importantíssimas para o desenrolar da história e para que possamos compreender melhor as personagens já adultas.

Ellie Tucker, aos quinze anos, tem um melhor amigo que também é seu primeiro amor, que sempre lhe diz que um dia se casará com ela – do que ela ri todas as vezes que escuta, apesar de desejar que seja real. Ela e Nolan são inseparáveis, e ela não se cansa de vê-lo jogar basquete na quadra da escola deles, de cujo time o pai do menino é treinador. De repente Ellie se vê em uma situação impossível: seu pai, um militar durão, descobriu que sua mãe o estava traindo e decide aceitar um emprego que lhe oferece a oportunidade de sair do interior de Savannah e ficar bem longe de sua esposa, já que é uma transferência para uma base em San Diego.

Assim que descobre que terá que abandonar tudo o que conhece, Ellie corre para os braços de seu melhor amigo, que tem uma ideia para garantir que eles voltem a se encontrar: cada um deles escreverá uma carta paro o outro, que serão enterradas nas raízes da maior árvore do Parque Gordonston, que é seu lugar secreto. Dali a exatos onze anos, os dois devem voltar para lá e ler cada um a carta que o outro escreveu. Eles não acham realmente que ficarão tanto tempo sem se ver, até porque onze anos é tempo demais, então essas cartas são mais como uma medida de segurança, só no caso de algo acontecer e eles não conseguirem se falar.

Mas o problema é que é exatamente isso que ocorre. Por inúmeros motivos, eles praticamente não tem contato nenhum durante os próximos meses, até que anos se passam sem que nenhuma palavra seja dita ou escrita entre os dois. Cada um deles segue um rumo diferente. A vida de Ellie não foi nada parecida com aquela de seus sonhos adolescentes, de um dia se tornar uma escritora publicada, enquanto Nolan conseguiu algo que sempre almejou, ser jogador de basquete profissional. Mas isso não significa que a protagonista se arrependa dos frutos que sua vida lhe rendeu, ao contrário, ela é muito feliz por ter sua linda filha.

As personagens vêm de famílias crentes em Deus, e logo no início percebemos essa forte fé que eles possuem, fé essa que permeia por todo o livro. Nolan perdeu Ellie, a garota que ele ama, e um familiar, que era sua inspiração, praticamente ao mesmo tempo, mas mesmo assim se manteve acreditando nos planos de Deus. Ellie, por sua vez, perdeu toda sua fé ao longo dos anos, ao ver sua vida sair completamente dos trilhos que ela gostaria de seguir. Essa questão da fé permeia por todo o livro, não apenas no quesito acreditar ou não, mas também quanto ao que fazer com essa crença, como viver com ela e usá-la.

Karen escreveu um livro que nos toca ao abordar assuntos como o amor, tanto pela pessoa que é sua alma gêmea quanto por seus familiares e amigos, e a capacidade de perdoar, mesmo os erros que nos machucaram tanto e cujas feridas ainda estão abertas. Eu  nunca tinha encontrado um livro assim antes, que fosse tão fundamentado no amor, no perdão e na fé. Há alguns acontecimentos na história que não teriam como ocorrer se não fosse por uma força maior, o que alimenta a questão da fé das personagens, e no caso de Ellie, serve para lembrar que o Deus em que ela costumava acreditar realmente existe e Ele está ali olhando por ela. Algo que eu achei muito fofo é o fato de que a própria filha dela, Kinzie, ainda uma garotinha, a ajuda a voltar a crer.

Os capítulos são sob as perspectivas de quatro personagens diferentes: Ellie, seu pai, Alan, sua mãe, Caroline, e Nolan, o que nos permite saber o que cada um deles pensa e como se sentem sobre todas as situações por que passam, e como os sentimentos de cada um deles se transformaram – ou não – ao longo de todos esses onze anos. É uma história realmente linda que amei ter lido, algo diferente do que eu já tinha encontrado antes e que realmente me fez sentir bem e esperançosa em relação a vida enquanto eu a lia – e depois também, é claro. Ainda tenho que pesquisar um pouco sobre a autora e conhecer um pouco sobre ela, mas já adianto que vou tentar achar mais livros dela.

Até mais, pessoas, e um ótimo dia para vocês :)

Comentários

  1. Nossa, parece ser um livro bem legal e envolvente. Eu acho que adoraria lê-lo. Sua resenha ficou ótima, Fê.

    Beijos.

    http://tordodemorango.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada, Midi! Esse livro é super legal mesmo :)

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  2. Fê, esse livro parece ser lindo! Fala de fé, amor, perdão... temas que rodeiam a minha vida, talvez por isso acho que ele tem de tudo para ser uma boa história, e é o que eu acredito que seja, como você mencionou.
    E nossa, achei que era só eu que me incomodava com flashbacks e histórias do passado, quando os protagonistas já estão adultos ou mais velhos. Sério, penei para ler um livro da Lucinda Riley, apesar de ter gostado, hahaha.
    Não lembro se já ouvi falar desse livro, mas vou adicionar aos meus "Quero Ler" do skoob agorinha.
    Beijos,

    http://lucyintheskywithbooks.blogspot.com.br/

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    1. Ele é lindo mesmo :) É, flashbacks me deixam um pouco ansiosa na hora da leitura, mas acabam sendo super importantes pro desenrolar da história, né?
      Beijos

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  3. Olá,
    Morro de curiosidade para ler esse livro, acho a premissa linda, apesar de ser o tipo de história que dificilmente aconteceria na vida real, sempre me despertou curiosidade.
    Beijos.
    Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

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    1. A história é linda mesmo, Inês. Quando puder, leia sim :)

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