Resenha#46 - Primavera Eterna, Paula Abreu


Conheci essa história graças a edição comemorativa de dez anos do lançamento do livro, feita pela Arqueiro. É uma história que me fez passar um tempão desejando ter o livro em mãos e, quando finalmente o tive, levei séculos para finalmente pegar o livro e me sentar para ler – acho que estava esperando até eu sentir que era o momento certo para ler essa história. Acabei a lendo no início das minhas férias da faculdade, logo nos primeiros dias de julho, em uma noite em que não tinha mais nada para fazer, mas acabei terminando-a no início da manhã seguinte após algumas merecidas horas de sono. A pergunta que rege o livro: É o primeiro amor que nos move por toda a vida? Agora estão vendo por quê fiquei enrolando até sentir que era a hora?

Maia é uma publicitária bem-sucedida que tem uma vida bastante boa, com um emprego estável e um namorado para chamar de seu. Mas ela larga tudo isso para fazer uma viagem à Nova York, em busca de seu primeiro amor. ‘Larga’ é um termo meio forte, ela na verdade se afasta por um tempinho da empresa e inventa uma viagem a negócios para o namorado. Tudo isso para poder ir até os Estados Unidos encontrar o homem que um dia foi o menino por quem ela se apaixonou aos doze anos em uma de suas viagens com a família ao interior. Acontece que ela e Diogo nunca mais se viram, apenas falaram por telefone algumas vezes, até que os pais do menino se mudaram para a América do Norte e então os dois jovens acabaram meio que perdendo o contato e nunca conseguiram ter um ‘final’ para sua própria história.

Agora, vários anos mais tarde, com uma fila de ex-namorados que nunca realmente conseguiram alcançar seu coração, Maia viaja em busca de um possível começo - ou um final – com o único homem que já foi capaz de penetrar em seu âmago. Mas essa viagem, esse dia que ela passa com Diogo, faz muito mais do que apenas lhe proporcionar um ‘estado’ para sua relação com ele, um homem com uma personalidade um tanto diferente da de Maia, que não se preocupa tanto com dinheiro, como ela faz – esse foi até um dos motivos para ela escolher a publicidade ao invés de se tornar uma escritora. Esse encontro, essas poucas horas que os dois passam juntos revelam à Maia coisinhas sobre si mesma que ela havia esquecido ou ainda não havia percebido, e isso é parte crucial da história e bastante real para nós mesmos também.

A autora, Paula Abreu, desistiu da carreira de advocacia para retomar o antigo sonho de escrever. Assim, Maia de certa forma nos conta a história de Paula, o que contribui ainda mais para que percebamos que as coisas que estão escritas ali realmente têm um valor nesse mundo maluco em que vivemos, onde status e dinheiro são frequentemente colocados acima dos sonhos e dos sentimentos verdadeiros. Amei ter esperado tanto para ler a obra, pois sinto que realmente consegui apreciar com calma cada pequena coisinha que a história nos traz naquelas poucas linhas, que são capazes de nos cativar e nos mostrar algumas verdades, por vezes simples, que são capazes de nos auxiliar e nos ajudar a sermos realmente quem somos, sem fingimento para tentar agradar aos outros ou se encaixar nos padrões já pré-moldados e esperados pela sociedade. Sejamos aquilo que queremos, aquilo que somos, aquilo que nós almejamos. Vivamos o nosso sonho, não o de outra pessoa. Construamos uma vida para a qual possamos olhar posteriormente e dizer, orgulhosos de nós mesmos: Eu realmente vivi, não apenas existi.

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