Resenha #48 - 8 Segundos, Camila Moreira

Esse livro foi uma surpresa super gostosa nas minhas leituras recentes. Ele começou de uma forma bem clichê, patricinha metida se apaixona por caubói de tirar o fôlego, e até mais ou menos o meio do livro ele fica nessa mesma fórmula batida. Entretanto, em certo ponto, eis que ocorre uma reviravolta que torna a história muito mais interessante. E são essa reviravolta e as consequências vindas dela que conquistam o leitor e o chamam a ler ansiosamente até a última linha do romance de Camila Moreira. Eu já havia lido algumas resenhas a respeito desse livro, mas mesmo assim foi uma ótima surpresa ver a história sair de algo tão básico e realmente mostrar a que veio e assumir sua posição com orgulho entre os recentes livros nacionais que temos visto.

Pietra é uma garota mimada que supervaloriza seus queridos objetos Louis Vuitton e praticamente não conhece as relações humanas – ao menos não as verdadeiras. Para ela, filha de um homem cheio de dinheiro, todos têm que estar a seus pés, inclusive os empregados da fazenda da família, onde seu pai a obrigou a passar trinta dias como sua última tentativa de fazer dela uma pessoa melhor. É claro que ela chega lá com o nariz em pé e se achando superior a todos os que vivem ali, afinal, ela cresceu na civilização e eles vivem no meio do nada, não é mesmo? São todos pobres criaturas interioranas que nunca tiveram acesso às coisas boas da vida. Acontece que, dentre todos eles, ela é a única digna de pena. Pietra é uma garota que, mesmo que inconscientemente, apronta todas para tentar chamar a atenção do pai, aquele que a fez crescer em colégios internos e a manteve longe desde a morte da mãe dela.

Por conta das questões familiares e por ter muito dinheiro disponível, Pietra se tornou uma pessoa fútil, que se importa demais com bens materiais e não possui nem um único amigo verdadeiro. Seu namorado e ela têm um acordo que aparentemente funciona bem para os dois lados: ela tem alguém sempre disponível e ele tem um poço sem fundo lotado de dinheiro para gastar com as roupas, os calçados, os restaurantes e os motéis mais caros possíveis. Ela também ama poder desfrutar de todo o luxo que o dinheiro pode comprar, mas o problema é que de tanta futilidade não restou nada verdadeiro, pelo que podemos perceber.

Felizmente, seu tempo na fazenda muda sua perspectiva sobre a vida. Lá ela conhece pessoas simples mas que realmente se amam, como Lucas, um rapaz que tem a prima como irmã e cujo tio cuida dele como se fosse seu próprio filho desde que o garoto tinha dez anos de idade, época em que o menino perdeu os pais. É por Lucas que ela acaba se apaixonando, é com ele que ela aprende a amar e a ser amada. Vivendo ali na fazenda de seu pai ela finalmente compreende que a vida é feita de relações e sentimentos reais, e não construída por dinheiro, apesar de obviamente ele ser um fator importante, já que vivemos em um mundo capitalista.

Essa é a parte mais clichê do livro, aquela que nós já vimos acontecer em tantas outras histórias. Mas é justamente quando pensamos que tudo caminha para o ‘felizes para sempre’ que o tal inesperado de que falei anteriormente ocorre, transformando uma história simples e batida em algo realmente capaz de prender a atenção. É algo que só consegui supor que poderia acontecer quando já estava bem perto da linha em que tudo começa a realmente acontecer, e por isso é capaz de nos surpreender e nos trazer uma experiência maravilhosa em uma leitura que acreditávamos, até ali, ser apenas mais uma entre tantas outras que já tivemos. 

As consequências que esse acontecimento acarreta torna o livro uma experiência mais profunda para aquele que lê, é nessa segunda metade da história que realmente vivenciamos como as personagens, principalmente Pietra, mudaram ao longo de todas aquelas páginas por que nossos olhos passaram. E foi assim que Camila Moreira me conquistou: transformando uma história que tinha tudo para ser clichê em um livro cheio de reflexões intrínsecas que nos tocam o âmago. Elas nos levam a pensar nas relações de pais e filhos e em como o dinheiro, entre outras coisas, é capaz de influenciá-las. Nos levam a refletir sobre o amor verdadeiro, sobre lealdade e sobre inúmeras outras coisas. Mas, aqui, prefiro deixar essas tantas outras restantes em aberto, para que vocês mesmos possam vivenciá-las durante a leitura.

Beijos, e até a próxima!

Comentários

  1. Uau, eu já vi esse livro diversas vezes no Skoob e nunca havia me interessado por ele, até agora... As vezes gosto de um livro clichê e gosto de livros que são ambientados em lugares rurais e tal... talvez por me lembrar a infância!
    Amei sua resenha e 8 segundos está na lista ! :)

    http://tordodemorango.blogspot.com.br/

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    1. Também tenho momentos em que tudo que quero é um livro bem clichê com um final super feliz :) Obrigada, Midi!

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