Resenha #64 - A Morte de Sarai, J. A. Redmersky


Quando esse livro saiu vira e mexe eu o via em sites e blogs, sempre com bons comentários sobre a história. Finalmente resolvi ler a obra, e entendi porque o dito cujo fez tanto sucesso. A autora, J. A. Redmerky, trabalha bastante com o emocional, com aquela parte mais profunda dentro de nós que sofre os efeitos daquilo por que passamos em nossas vidas e que muitas vezes não se mostram externamente.

Sarai era uma típica adolescente americana: tinha o sonho de terminar o ensino médio e conseguir uma bolsa em alguma universidade. Mas com apenas 14 anos foi levada pela mãe para viver no México, ao lado de Javier, um poderoso traficante de drogas e mulheres. Ele se apaixonou pela garota e, desde a morte da mãe dela, a mantém em cativeiro. Apesar de não sofrer maus-tratos, Sarai convive com meninas que não têm a mesma sorte. 
Depois de nove anos trancada ali, no meio do deserto, ela praticamente esqueceu como é ter uma vida normal, mas nunca desistiu da ideia de escapar. Victor é um assassino de aluguel que, como Sarai, conviveu com morte e violência desde novo: foi treinado para matar a sangue frio. Quando ele chega à fortaleza para negociar um serviço, a jovem o vê como sua única oportunidade de fugir. Mas Victor é diferente dos outros homens que Sarai conheceu; parece inútil tentar ameaçá-lo ou seduzi-lo. 
Em A morte de Sarai, primeiro volume da série Na Companhia de Assassinos, quando as circunstâncias tomam um rumo inesperado, os dois são obrigados a questionar tudo em que pensavam acreditar. Dedicado a ajudar a garota a recuperar sua liberdade, Victor se descobre disposto a arriscar tudo para salvá-la. E Sarai não entende por que sua vontade de ser livre de repente dá lugar ao desejo de se prender àquele homem misterioso para sempre.


Sarai, depois de anos presa dentro do complexo chefiado por Javier, finalmente consegue uma chance de fuga quando escuta uma conversa entre o traficante e Victor, um assassino de aluguel aparentemente imperturbável. Ela se esconde no carro dele e consegue fazer com que o homem a leve para a fronteira com os EUA. Não que ela seja forte o suficiente para ser uma ameaça, mas ele acaba decidindo levá-la até o território estadunidense para que ela tenha a chance de recomeçar sua vida. À partir disso já vamos vendo um pouco da mudança pela qual eles vão passando. Victor não é do tipo de pessoa que se preocupa com pessoas que ele nem ao menos conhece, mas ajuda Sarai, ao passo que ela teve sempre como sonho a liberdade, mas vai percebendo que o que ela mais quer agora é estar com Victor e fazer parte da vida dele.

Apesar de ter conseguido fugir, Sarai se sente culpada por não ter ajudado as outras meninas que vivem no complexo a sair de lá também. Mas, se ela tivesse tentado levar mais pessoas junto com ela, a fuga dificilmente teria dado certo. É compreensível ela ter esse sentimento de culpa, apesar de tudo. Ela era a que menos sofria ali dentro, pelo fato de ser a protegida de Javier. Todas as outras meninas eram alvos de violência psicológica, física e sexual no complexo, então é claro que há essa vontade de ajudar e fazer com que elas possam voltar a ter uma vida digna, longe do tráfico e do abuso.

A relação entre Victor e Sarai é bem complicada. Nenhum dos dois compreende o que se passa entre eles, de onde vem essa vontade de querer estar com  a outra pessoa e de protegê-la. É bem interessante o modo como esses sentimentos vão surgindo e sendo construídos ao longo da história. Victor foi desde cedo educado e treinado para ser o assassino perfeito, sem sentimentos que pudessem vir a afetar seu trabalho - não é à toa que ele ocupa a posição de melhor assassino na organização para a qual trabalha. Já Sarai foi forçada a aprender a fingir e dissimular para sobreviver graças à decisão da mãe de se mudar para o México com Javier. Ela não tem os sentimentos e reações normais que uma pessoa que não passou por traumas tem naturalmente em cada tipo de situação.

Eu gostei muito de ter lido a história. Ela nos dá uma outra perspectiva sobre a vida, já que quando estamos lendo um livro nós nos infiltramos na trama e passamos a sentir o que as personagens sentem. É diferente de quando você vê uma notícia e pensa o quão horrível aquele fato é. Quando você está no meio das páginas você se encontra mais perto de como é aquela realidade descrita ali, e fica mais fácil perceber e sentir o horror e as consequências e traumas causados por situações extremas.

O segundo livro da série, chamada Na Companhia de Assassinos, tem como título O Retorno de Izabel, que eu também já li e gostei bastante. E é claro que vou postar a resenha para vocês. Beijos!

Comentários

  1. Hey!
    Já ouvi falar muito sobre esse livro... As vezes quero ler, as vezes não... Hahaha

    Adorei a resenha!

    http://tordodemorango.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Midi! Também fiquei bastante tempo nesse dilema, haha.
      Que bom que gostou!
      Beijos

      Excluir

Postar um comentário

Comente! Vou amar saber o que você achou do post ou do blog, e sugestões para melhorias também são bem-vindas!

Postagens mais visitadas